26 de dezembro de 2011

Doze uvas, 365 Momentos

          Estamos na época de esperanças, planos, felicidades, rituais, festas e confraternização. No embalo dos presentes e canções de Natal embarcamos quase que mecanicamente nas viagens e fogos do Ano Novo.
          Na noite da virada o que importa é ser feliz, comemorar as conquistas, vitórias e acontecimentos do ano que se vai e desejar sucesso e sorte para o ano que se inicia. Permeando tudo isso (e muito mais...) superstições, simpatias e tradições comandam a noite de reveillon. Pular sete ondas, comer doze uvas e associar seus gostos a cada mês do ano, guardar uma folha de louro na carteira, dar tres pulos com uma taça de champagne sem derrubar uma gota, enfim, tudo vale para trazer boas energias e 'jogar fora' o agouro e azar do ano que esta se esvairando. 
          Na Itália, por exemplo, comer ao menos uma colher de sopa de lentilha é o suficiente para assegurar fartura à mesa durante o ano inteiro. Para os portugueses, comer a quantidade de bagos de uva correspondente ao seu número de sorte garante prosperidade e fartura de alimentos, além de dinheiro; mas é claro, se as sementes forem guardadas na carteira até o próximo Ano Novo.
          Das Arábias veio a ideia de que nozes, avelãs, castanhas e tâmaras podem garantir fartura e sorte. Hábito africano, por sua vez,  são as vestes brancas, que simbolizam paz, pureza e bondade para o ano advento.
          Vestimentas amarelas e douradas para atrair fortuna e sucesso; azuis e turquesas para dar paciência e tranquilidade a quem os veste; usar o rosa e o vermelho para desejar amor ou paixão e até mesmo o roxo e o lilás para trazer sabedoria às novas decisões do novo ano fazem parte, outrossim, do nosso vasto e misto supersticioso Ano Novo.
          Seja advindo da Europa, da África ou das Arábias, cada brasileiro mantém sua tradição e seu ritual, assim como diversas outras pessoas ao redor do globo, na esperança de melhoras e de realizações, ou simplesmente pela alegria de aproveitar,  desfrutar e desvendar um bom e divertido reiveillon.

22 de dezembro de 2011

Blink of an Eye

          Dizem que um olhar vale mais que mil palavras. Dizem que há palavras que não expressam a emoção sentida. Dizem que a vida passa em um piscar de olhos. Dizem, ademais, que momentos marcam uma uma vida, uma história.
        Então que seja através de uma ou de cem imagens para o olhar ser válido, para as emoções serem ditas, para a vida perlongar na eternidade, para vários e vários momentos valerem a pena e para que estes por fim, escrevam a sua, a minha e a nossa história. 


          
 
Imagem de Anuar Patjane. Chuva torrencial de monção em Bhaktapur, no Nepal.


O fotógrafo James Vernacotola registrou o lançamento do ônibus espacial Endeavour STS-130 em Ponte Vedra, na Flórida, EUA.


 Uma vez a cada ano, os pescadores de Taipei, em Taiwan, realizam um ritual de pesca com enxofre e fogo. Foto de Hung-Hsiu Shih.


 A imagem foi feita nas Ilhas Riau, na Indonésia, pelo fotógrafo Shikhei Goh.


 A foto acima, feita em Hokkaido, no Japão, mostra um lago turístico da região durante o inverno. Foto de Kent Shiraishi.


 O fotógrafo Angel Fitor, de Múrcia, na Espanha, registrou a água-viva Cotylorhiza tuberculata próxima à superfície do mar.


 Foto tirada por Marius Coetzee em um safári fotográfico no Parque Nacional do Serengueti, na Tanzânia.



A imagem mostra a dupla e rap G-Side em Nova York, nos EUA.
Fotografia de Helen Pearson.




          As fotos acima foram vencedoras do concurso ou ganhadoras das menções honrosas nas categorias Natureza, Pessoas e Lugares do 'Concurso Fotográfico 2011', oferecido pela revista 'National Geographic'. Essas e outras mais 6 fotos foram escolhidas entre as 20 mil enviadas por participantes de 130 países.

7 de novembro de 2011

Os livros de Marx e Gutemberg

          A imaginação e a realidade humanas andam juntas desde os primórdios da nossa existência  dando origem a mitos, religiões e simbologias, construindo cidades e civilizações, fazendo de fatos, pessoas e obras, imagens positivas ou negativas de eras, povos e dos indivíduos em si. 
          No apogeu da era Renascentista, Gutemberg publicou o primeiro livro impresso da história, a Bíblia Católica, marcando a evolução e criações tecnológicas da época da razão e do homem. O mesmo livro rege ainda uma das maiores religiões do mundo, representando-a apenas com uma imagem e com uma cruz.
        Durante a Revolução Industrial, as lutas proletárias, assim como as revoluções socialistas de tempos depois, associam-se diretamente ao "Manifesto Comunista" de autoria 'Marxiana', obra, a qual, mudou o mundo, as indústrias e a percepção humana. 
          Livros de autoajuda serão vistos daqui algum tempo como os símbolos e obras do século XXI, evidenciando o desespero e a perda intimista do ser humano. 
        Os livros são,portanto, símbolos, imagens de uma época, de um indivíduo, de uma história. São marcos queimados, lidos, escritos, 'pixados' e interpretados que perpetuarão a representar o homem, ao longo dos tempos e ao longo das infindáveis páginas da vida e da história.

23 de outubro de 2011

Carta para Tito




           por José Roberto Torero

          Futebol também é cultura. Hoje, para júbilo e gáudio dos amantes das letras clássicas, publicarei uma carta do imperador Vespasiano a seu filho Tito. Vamos a ela:

          "22 de junho de 79 d.C. 
        "Tito, meu filho, estou morrendo. Logo eu serei pó e tu, imperador. Espero que os deuses te ajudem nesta árdua tarefa, afastando as tempestades e os inimigos, acalmando os vulcões e os jornalistas. De minha parte, só o que posso fazer é dar-te um conselho: não pare a construção do Colosseum. Em menos de um ano ele ficará pronto e, dando-te muitas alegrias e infinita memória. 
          Alguns senadores o criticam, dizendo que deveríamos investir em esgotos e escolas. Não dê ouvidos a esses poucos. Pensa: onde o povo prefere pousar seu clunis: numa privada, num banco de escola ou num estádio? Num estádio, é claro. 
         Será uma imensa propaganda para ti. Ele ficará no coração de Roma por omnia saecula saeculorum, e sempre que o olharem dirão: 'Estás vendo este colosso? Foi Vespasiano quem o começou e Tito quem o inaugurou'.
         Outra vantagem do Colosseum: ao erguê-lo, teremos repassado dinheiro público aos nossos amigos construtores, que tanto nos ajudam nos momentos de precisão.
          Moralistas e loucos dirão que mais certo seria reformar as velhas arenas. Mas todos sabem que é melhor usar roupas novas que remendadas. Vel caeco appareat (Até um cego vê isso).
       Portanto deves construir esse estádio em Roma, assim como a gente de Brasília construirá monumentais estádios em Natal, Cuiabá e Manaus, mesmo que nem haja ludopédio por esses lugares.
         Só para você ter uma ideia, o campeonato de Mato Grosso teve média inferior a mil pessoas por partida, e a Arena Pantanal, em Cuiabá, terá capacidade para 43.600 espectadores. Em Recife haverá um novo estádio, mas todos os grandes clubes já têm o seu. Pior será a arena de Manaus: terá 47 mil lugares e, no campeonato estadual, juntando os 80 jogos, o público total foi de 37.971.
       As gentes da Terra Papagalli não ligaram nem mesmo para o exemplo dos sul-africanos, que construíram cinco novos estádios e quatro são deficitários.
       Enfim, meu filho, desejo-te sorte e deixo-te uma frase: Ad captandum vulgus, panem et circenses (Para seduzir o povo, pão e circo).
        Esperarei por ti ao lado de Júpter."

          PS: Vespasiano morreu no dia seguinte à carta. Tito não inaugurou o Coliseu com um jogo de Copa, mas com cem dias de festa. Tanto o pai quanto o filho foram deificados pelo senado romano.

19 de setembro de 2011

Fantasmas Gregos

        Em 1889 foi instaurada a República no Brasil, a partir da qual homens e oligárquicos adquiriram o direito de decidir e argumentar sobre sua mais nova pátria. Com o movimento feminista do século XX, as mulheres conseguiram tal igualdade e, em 1988 através da Constituição, os jovens conseguiram tais direitos.
       Durante governos autoritários, abusos e fraudes no poder - principalmente entre as décadas de 1960 e 1980 - o povo foi responsável pelas mudanças na política nacional, a exemplo do fim da Ditadura e da saída de Collor do governo.
            Foi o povo, outrossim, que elegeu em 2001, um sindicalista à Presidência da República, o qual melhorou consideravelmente as condições da população, além de propiciar um desenvolvimento antes quase utópico.
          Entretanto, nada seria como foi sem a atuação dos jovens estudantes nas mudanças em nosso país.
            Através de sindicatos, associações ou grupos estudantis, os jovens têm muito daquilo que se perde quando adulto: a esperança e força de vontade. Sendo estas, por sua vez, direcionadas a projetos sociais, fiscalização de obras públicas e até mesmo cobrança das promessas de palanques.
         Quanto mais cedo os adolescentes se conscientizarem sobre a política nacional (através de palestras, debates e atividades práticas), mais os antigos fantasmas gregos da época de Círio aflorarão, fazendo com que lembremo-nos das nossas conquistas e justiça passadas, assim como a utopia do apogeu democrático no século V a.C. concretizado, por sinal, também por jovens "guerreiros políticos" gregos.
         

2 de setembro de 2011

The Farewell of a Dream

         At the most beautiful or important moment of a dream, when we don´t want to leave it and we're enjoying that sweetie emotion, life and time get a way to wake us up. 
          Life is like a dream always ready to change, to inspire us or destroy us, but always, in the same way, to make us happy again. When we are kids, nothing is impossible, climb the Everest mountain just climbing the walls, be an astronaut only using a cassette recorder or even be a lost and defenseless princess in a tower using a crown made of paper and being closed in our bedrooms.
          But then we grow up. Suddenly imagination is not enough and we start to dream about things we see and inspire us. Our goal now is practice to be the new rock star, the successful doctor, the famous racing driver or maybe, who knows, the president of our country.
           However life, time and now reality, attack us with books, duties, with the gray shadows of a grown up world. And suddenly as a sand castle dissolves with the dance of sea's waves, the dream becomes a nightmare and apparently impossible to become true. We accept to turn ourselves into a cold, unfeeling and 'no creative' person, living all our world built in a tree house behind. 
          Time crosses our lives again and we learn how to dream again, reminding with love and affection the old times when a dream wasn't only images, feeling and sounds inside our minds, but it was a simply and sincere way of life. 
          Getting a certain age, we will see the most wonderful, graced and unpredictable dream we could have ever dreamed, and so, finally understand it and its different meanings and interpretations and when it happens then we will be ready to say farewell to this sweetie and remarkable dream: our life.

21 de agosto de 2011

Prateleiras em Extinção

    por Barbara Gancia   
     
          "Era só o que faltava. Vem esse espertinho do Steve Jobs querer bagunçar o coreto bem no meio do 'meu processo'. Justo agora que a tia Sukita aqui esta começando a entender a diferença entre upload e download chega esse pilhador do salário alheio e detona a bomba. 
          Por que eu decidiria guardar tudo o que é meu no seu armazém, sr. Jobs? Quem disse que uma consumista ao meu molde e feitio será capaz de abrir mão de seus quindins?
          Não sabe que tenho xodó pelo meu CD com capinha metálica do Jaques Lu Cont ou que a vida não pode ser vivida em glória sem a companhia do DVD 'Easy Rider-Special Edition', que acompanha livretes com fotos?
          De onde o maluco da Apple tirou a ideia de que vou guardar os meus documentos, as fotos, os livros, enfim, meu mundinho idealizado do Zé Rodrix, numa nuvem que ele chama de iCloud (aí, Cláudio!) em algum canto virtual que alugarei no éter como se fosse vaga de estacionamento da Estapar?
          Não sei se o nobre leitor percebeu o cenário que nos espera. Não bastasse dedicar a quase totalidade de minhas entradas mensais à compra de músicas e aplicativos, agora torrarei até o último centavo em giga ou google, lá em uma dimensão que é manifesta, mas não táctil.
          Minha mais recente despesa no iTunes foi ums trena digital, a 'Easy Measure', que tem ajudado horroses na reforma da casa nova. Você aponta o telefone para o objeto e surge no visor uma régua com marcação.
          Certas coisas facilitam a vida, ainda que uma reforma seja uma reforma, seja uma reforma (Gertrude Stein), empreitada que mistura as emoções de um ataque terrorista com as de ser destroçado por um mandril faminto enquanto um tsunami destrói tudo. 
          E isso porque ainda não chegamos aos acabamentos. Aí você pode incluir no pacote a sensação de afogamento por enchente ao mesmo tempo em que é devorado por piranhas. Note que ainda tenho mais três meses (numa previsão otimista) até o fim da obra. 
          Nos últimos dias, estivemos às voltas com a estante da sala, um trabalho que eu compararia em dimensão a Angkor Wat, com prateleiras que ocuparão toda a parede da sala.
          Ali eu planejava colocar livros e CDs, álbuns, a aparelhagem de som com woofer, subwoofer, tweeter e equalizador, meus dicionários de línguas, sinônimos, etimologia, expressões idiomáticas, o 'Roget's Thesaurus', a 'Encyclopedia Britannica', a 'Barsa' e a italiana 'Enciclopedia Treccani', tudo da maneira mais espartana possível para ir acomodando os livros que virão pela frente. 
          Mas daí chega a notícia de que, a partir de novembro, o hardware não só será externo como virtual. Muito bem. Já percebi que serei obrigada a operar algumas mudanças. E que não necessariamente devo começar por woofer, subwoofer e equalizador. 
          Pois então. Se nos próximos dias você vir um saco boiando no Tietê com uma pilha de dicionários colhidos pelo ácaro, CDs de caixinha rachada, DVDs de seriados que nunca mais serão vistos, mais um monte de fitas VHS e até um floopy discs jogados no meio do embrulho, juro que não fui eu que atirei no rio."