25 de junho de 2014

Poema da meia noite

          E no final das contas o dia deu em chuvoso em meio à arte de Cheval, Sinclair e Farré....



"O Dia Deu em Chuvoso 
A manhã, contudo, esteve bastante azul. 
O dia deu em chuvoso. 
Desde manhã eu estava um pouco triste. 

Antecipação! Tristeza? Coisa nenhuma? 
Não sei: já ao acordar estava triste. 
O dia deu em chuvoso. 

Bem sei, a penumbra da chuva é elegante. 
Bem sei: o sol oprime, por ser tão ordinário, um elegante. 
Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante. 
Mas quem disse ao sol ou aos outros que eu quero ser elegante? 
Dêem-me o céu azul e o sol visível. 
Névoa, chuvas, escuros — isso tenho eu em mim. 

Hoje quero só sossego. 
Até amaria o lar, desde que o não tivesse. 
Chego a ter sono de vontade de ter sossego. 
Não exageremos! 
Tenho efetivamente sono, sem explicação. 
O dia deu em chuvoso. 

Carinhos? Afetos? São memórias... 
É preciso ser-se criança para os ter... 
Minha madrugada perdida, meu céu azul verdadeiro! 
O dia deu em chuvoso. 

Boca bonita da filha do caseiro, 
Polpa de fruta de um coração por comer... 
Quando foi isso? Não sei... 
No azul da manhã... 

O dia deu em chuvoso. "


Álvaro de Campos



''Bombastic Quintet of Eternal Youth'', Michael Cheval

''The Attic'', Alexia Sinclair

''Caminant Sota La Pluja'', Montse Parés Farré

13 de fevereiro de 2013

10 pensamentos sobre liberdade

1) A liberdade é um fato de experiência que não pode ser negado.
 
2) É um sentimento aspirado e desejado pelo homem desde tempos remotos.

3) Porém, à medida que o homem evolui, a liberdade diminui.

4) Parecemos tão livres - mas estamos encadeados, acomodados.

5) Liberdade significa responsabilidade e é por isso que muitos ainda a temem.

6) Hoje a liberdade é defendida com discursos e atacada  com metralhadoras.

7) Cada um tem sua opinião sobre ela, entretanto ninguém tem noção do que ela realmente é.

8) A liberdade não é o fim, é uma consequência.

9) Deveríamos conquistar, acima de todas as liberdades, a do saber, a do expressar, a do debater.

10) E enfim, poder sonhar, realizar, pular e voar para onde a liberdade quiser nos levar.

23 de dezembro de 2012

Tarde emoldurada

Céu ocre na moldura de madeira,
nuvens cinzas em pleno anoitecer.
Folhas caem e incendeiam
na noite que não convém em aparecer.

Sons nos gramados, sons do céu;
quentura de outrora, chuva de verão.
Outono ou veraneio? Não consigo responder.
Vejo somente o ocre na madeira a brilhar.

Ouço o cantar da chuva e o tilintar das folhas
nesta linda velha casa
onde não sei o que é chão e o que é mar.

O vento uiva e devaneio a mirá-lo.
Assusto-me nos flashes e nas luzes,
perco-me no som e na escuridão.

O tempo para, mas a natureza segue a bailar
refletida na lagoa pintada e no ocre,
no ocre da parede e da moldura a exaltar.




2 de dezembro de 2012

A grande era do cupim

por Carlos Heitor Cony

          "Pouco antes de morrer, Antonio Callado foi entrevistado pelo jornal Folha de São Paulo, do qual era um dos mais conceituados colunistas. Foram declarações amargas de um profissional respeitado pela sua trajetória na imprensa e na literatura. Ao fazer a análise do seu tempo, Callado disse que faltava à sociedade brasileira, incluindo todos os seus setores - política, economia, justiça, mídia etc. -, uma "âncora moral".
         Tudo ficava permitido em nome das vantagens legais ou ilegais em todos os meandros da vida social.       No vale-tudo pelo poder ou pelo prestígio, a lei seria a do cão ou do leão, notáveis pela sua voracidade.
         Na escala zoológica, nem todo cão é feroz e há leões que se apresentam em circos, mansamente, para encanto do respeitável público.Ninguém falava ou pensava no cupim. Animal minúsculo, mas não inofensivo, sem direito ao latido ou ao urro, mas capaz de desmoronar um prédio ou uma instituição.
         Estamos na era do cupim - tudo parece bichado. Em crônica recente, com a liberdade da metáfora, comparei o Palácio do Planalto e seus anexos a uma boca de fumo, foco que abastece o noticiário policial.
       Haja nomes para designar as sucessivas e nuncas resolvidas operações da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da União: Satiagraha, Monte Carlo, Porto Seguro etc. Os relatórios são alterados ao sabor das pressões oficiais ou oficiosas - estas últimas exercidas por todos os que se beneficiam do sigilo da fonte.
        O caso mais assombroso, o mensalão, teve origem na entrevista de Roberto Jefferson a Renata Lo Prete, que não invocou o sigilo da fonte e deu no que deu. Numa CPI ainda em atividade, o relator foi obrigado a tirar referências a autoridades e jornalistas. O cupim trabalha em sigilo." 

4 de setembro de 2012

As ondas e letras do verde Sabiá

Queria mergulhar em um mar de letras,
em um mar de pó pueril;
gozar do tempo ainda não passado;
rir da vida como um eterno Rouxinol.

Rouxinol... rouxinol ou verde Sabiá?
De repente a preta graúna do Ceará
trouxe a notícia de uma terra além mar.
Da terra da Graúna, do Rouxinol e do Sabiá.

Lindos versos passariam
por onde eles voassem.
Gotas de rimas e relatos da onda...
...da onda do mar, das letras da terra além mar.

Vá Gonçalves, José, Mário e Manoel!
Entrelaçados vão voando
para onde as ondas querem lhes levar:
Para o mar de letras no qual eu queria mergulhar.

16 de julho de 2012

Muralhas de Seda e Cetim

As muralhas eram grande na época.
Nada passava, nada ouvia,
nada transbordava, nada defendia.
Vinham exército de todos os planaltos e montanhas para invadí-la,
mas suas torres e ogivas - imensas e destrutivas -
impeliam a invasão, e a cegueira então permanecia.

O concreto enfim foi derrubado, aclamado pela multidão.
A muralha foi cantada por Fallersleben e ecoada pela união.
Guerras e divisões, por favor, não mais.
Era doloroso e a cicatriz ainda não curou,
permanece marcado o corte que, uma vez, a muralha os causou.

Avante, avante! A liberdade chegou!
sem mais muralhas de ferro, apenas pequenas muretas
de palavras, encantamento e heróis.
Rios e cachoeiras vinham - dos planaltos e montanhas guerreados -
permanecer empoleirados no muro que os continha
do levante, da opinião, da palavra e da euforia.

As tropas, nas alegrias que Caetano cantou,
levavam a muralha para mais longe.
Quando as tropas cessaram, a muralha se calou
do cântico glorioso que o soldado a ensinou.
Por sob a mureta do muro da muralha vinha a cortina
leve e graciosa como o ferro fundido,
como a sirene nas ruas, como o corpo abatido.
Não era de ferro, de concreto ou de retaliação, mas era feita de mera seda e cetim.

A nova cortina escode aquilo que não quer ver,
brinca por entre os homens como as éforas de Camões e como as sereias de Andersen.
Alguns a abrem, outros a fecham e ainda outros mais espiam por entre ela.
Vêem do outro lado um novo mundo, ditado por poucos sábios.
Sentem apenas o cheiro do abismo e da opulência,
do gasto e da irreverência.

Percebem ademais, os iluminado da caverna de Platão,
que a cortina é verde, como a gramínea que há no chão.
Que seda será essa, de colorido tão poderoso?
E que cetim será esse, com rostos póstumos tão pomposos?

Chegam mais perto e percebem que a leve cortina com eles fala,
soletra números e enumera palavras.
São ordens e perseverança de um ciclo interminável.
São palavras pesadas de discursos,
imperativos férreos da aliança,
o concreto fático da separação.

São números que vão e voltam,
no tempo e na destreza,
que provam que a muralha permanece lá
- não mais rígida e de tijolos feita -,
mas sim, hipnotizante e cobiçada, como o mais belo e raro cetim;
e resplandecente, como a mais macia e delicada seda.

6 de junho de 2012

Uma Campana Alegre, IX

         Qualquer semelhança com a realidade brasileira não passa de mera coincidência transcrista por um 'singelo' escritor português do século XIX.

           "Há muitos anos que a política em Portugal apresenta singular estado:
          Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente possuem o Poder, perdem o Poder, reconquistam o Poder, trocam o Poder...O Poder não sai de uns certo grupos, como uma pela que quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
           Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no Poder, esses homens são, segundo a opinião e os dizeres de todos os outros que lá não estão - os corruptos, os esbanjadores da Fazenda, a ruína do País!
            Os outros, os que não estão no Poder, são, segundo a sua prórpia opinião e os seus jornais - os verdadeiros liberais, os salvadores da causa pública, os amigos do povo e os interesses do País.
          Mas, coisa notável! - os cinco que estão no Poder fazem tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da Fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E os que não estão no Poder movem-se, conspíram, cansam-se, para deixar de ser o mais depressa que puderem - os verdadeiros liberais e os interesses do País!
          Até que enfim caem os cinco do Poder, e os outros, os verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação herdada de esbanjadores da Fazenda e ruína do País; em tanto que os que caíram do Poder se resignam, cheios de fel e de tédio - a vir a ser os verdadeiros liberais e os intersses do País.
         Ora, como todos os ministros são tirados deste grupo de doze ou  quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha sido por seu turno esbanjador da Fazenda e ruína do País...
            Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações mais hostis...
         Não há nenhum que não tenha sido julgado incapaz de dirigir as coisas públicas - pela Imprensa, pela palavra dos oradores, pelas incriminações da opinião, pela afirmativa constitucional do poder moderador...
            E, todavia, serão estes doze ou quinze indivíduos os que continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai, feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas num chouto tão triunfante!"

                                                                                                                    Eça de Queirós

15 de abril de 2012

Grimório: O Infinito Incabado


 "Acabou.
 O sonho sonhado,
 O desejo alcançado.
 Do esforço travado,
 Mente e corpo estilhaçado.
 Sobrou
 Algo a aprender ou ser lembrado?
 Tanto tempo para no fim ter largado?
 Quem sabe, ao próximo passo dado,
 Consiga deixar o ignóbil medo de lado.
 Soltou
 Um grito e um pranto calado
 Para que a racional alma mantenha seu estado
 De suposta sapiência e virtude nomeado
 Evanescente paisagem de um infinito inacabado."


1 de março de 2012

Righties X Lefties: How we decide differently

        


           By Lylah M. Alphonse


          "We like to think that we make decisions based on our ideas of right and wrong - and we do, to an extent. But according to recent research, our choicves may also be influenced by something as simple as whether we're right or left handed.
           That's because rightihanded people are more drawn to things on the right side of a scree or page, while while left-handed people look to the left. Cognitive scientist Daniel Casasanto of The New School for Social Research says it's part of the 'body-specificity hypothesis' - the idea that our physical bodies affect the decions we make and the way we communicate with one another. One of the easiest ways to measure this hypothesis is by looking at whether a person is a righty or a lefty.
            'Handedness is a good tool (to use) because it's easily measurable, and our hands our important in how we interact with the physical world,' explained Casasanto.
            'In his study, which was published in a recent edition Current Directions in Psychological Science, a journal of the Association for Psychological Science, Casasanto found that people tend to prefer the things that they see or experience on the same side as their dominant hand.
           'People like things better when they are easier to perceive and interact with,' he says. Right-handers interact with their environment more easily on the right than on the left, so they come to associate 'good' with 'right' and 'bad' with 'left,' he explained.
           'Since about 90 percent of the population is right-handed, people who want to attract customers, sell products, or get votes should consider that the right side of a page or a computer screen might be the 'right' place to be,' he added.
         We even tend to use our dominant side to differentiate positive ideas from negative ones. In 2004, presidential candidates John Kerry and George W. Bush - both of whom are right-handed - gestured more often with their right hands when expressing positive thoughts or ideas. In 2008, both Barack Obama and John McCain were left-handed, and both candidates used their left hands more often when expressing something positive.
           The association with positivity extends to the choices everyday people make as well. When Casasanto asked study participants to decide between two products to buy, two job applicants to hire, or two alien creatures to trust, right-handed participants regularly chose the ones on the right side of the page, while south-paws chose the ones on the left.
        That influence seems to extend beyond the physical world, influencing even abstract ideas like intelligence and honesty. Which means that it affects the way we understand one another as well, Casasanto says.
           'Most of the time, we feel like we understand each other because what a word means to me, is close enough to what it means to you,' he says. 'But it's never the same, and what a word means in your mind may depend on quirks of your body.'
          While the preference seems to hold true even for kids as young as 5 years old, it isn't absolute. People who are right-hand dominant but lose the use of that hand, even temporarily, start to associate 'good' with 'left' instead of' 'right.'
           'After a few minutes of fumbling with their right hand, righties start to think like lefties,' Casasanto said in a statement. 'If you change people's bodies, you change their minds.'"

5 de fevereiro de 2012

Receita da Vida

      por Celso Henrique


          "O segredo da vida não é ter tudo que você quer, mas amar tudo que você tem. Valorize o que você tem, dê valor às pessoas que realmente gostam de você. Dê mais ênfase às coisas alegres, minimize a tristeza. A dor é inevitável, o sofrimento é opcional. Não sofra por aquilo que ainda nem aconteceu, talvez o problema nem seja tão grande quanto pensamos. E se grande ele for, tenha a humildade de admitir que precisa de ajuda. Desabafe, escute o que outras pessoas tem a lhe dizer, peça um abraço.
          Perdemos muito tempo nos preocupando com fatos que, muitas vezes só existem em nossa mente. Não dê tanta importância a coisas tão banais. Brigue menos, discuta menos, evite estresses. Tudo, tudo é passageiro, nada vai permanecer para sempre. Não tente entender as pessoas ou que elas fazem, apenas as aceite da maneira que são. Ninguém é perfeito. Entenda que assim como você, os outros também possuem defeitos e estão passivos a erros."

3 de fevereiro de 2012

Lágrimas à minha Preciosa

Com um último suspiro
Largartes a vida,
Ó sol escarlate, que foi gentil
Ao iluminar meus dias.

Com um último sorriso,
Ó flor de nácar,
Vai ao encontro de teus queridos.

Com um último pesar digo adeus,
Na esperança de que,
Com sua luz inebirante,
Estrela na imensidão negra possa virar.

Que minhas noites possa então iluminar,
E em meus sonhos possa dizer,
Sem tristezas e lembranças, novamente, olá.

26 de janeiro de 2012

Os 13 "Curtir"

          Aqui apresento-lhes 13 significados (entre muitos outros) que o "curtir" no facebook pode ter (além, é claro, do tradicional 'gostei muito disso').

  1. "Obrigado. Para você também." - Você deseja "bom dia",  e a pessoa acha que 'curtir' ja diz tudo.
  2. "Li o que você escreveu" - Quando o joinha aparece logo depois que você publicar o recado na página do seu amigo.
  3. "Caramba! Tá tudo bem?" - Sua amiga posta que foi assaltada, e 23 pessoas dizem que curitram...
  4. "Ei, olha eu aqui!!!" - O mala que cutuca você a cada cinco minutos resolve curtir todo recado que você posta para ver se passa a ser notado.
  5. "Tá bom! Não enche o saco!!" - Quando seu irmão mais velho publica coisas como "Vai dormir moleque!"
  6. "Eu também!" - Aquele dedão recorrente abaixo abaixo de posts na linha 'eu odeio segunda-feira'.
  7. "Que botãozinho fofo!" - É a reação da sua tia que acabou de fazer um perfil e curte tudo e todos.
  8. "Não tenho nada a dizer sobre isso, mas acho uma boa pergunta." - Quando você pergunta algo no seu mural e recebe 'curtições' como resposta.
  9. "Vamos ser amigos?" - Você posta uma piada interna para uma amiga, e um cara com qeum você mal fala curte. É isso o que ele está querendo dizer...
  10. "Putz, que saco!" - Válido para posts como: ''Fiquei doente justo na véspera das férias!"
  11. "Não tenho o que fazer, então cliquei aqui" - Abaixo de posts que não dizem nada - como aqueles com caracteres que formam carinhas sorrindo, piscando, bocejando...
  12. "Concordo plenamente, mas fiquei com preguiça de comentar ou compartilhar" - Quando posts polêmicos ou a favor de professores, natureza e bichinhos são 'curtidos'.  
  13. "Meus pêsames" - É a única justificativa plausível para quem ainda insiste em dar um 'curtir' quando alguém diz: "Meu gato foi atropelado".


           Pois então, caros 'fellas'! Depois de intensa análise continuemos lendo, postando e curtindo!

5 de janeiro de 2012

Singela Quimera

            Queria saber transformar real em imaginário, transformar a razão em conto de fadas.
        Queria ser capaz de correr atrás do inatingível, atravessar um oceano de lágrimas, achar o sol na tempestade.
          Queria saber inventar histórias, criar castelos e escrever o tempo em uma linha curvilínea.
          Queria saber colorir o caminho, para quem me acompanhasse pudesse deslizar na vida, sem temores, sem pavor, sem medo de achar o que se sonha.
          Queria participar dos maiores entendimentos dos homens e dos mundos e poder viver os momentos para quem sabe viver a vida.
          Eu queria, enfim, poder sorrir e ser feliz.



30 de dezembro de 2011

O mundo não acabou

     por Antonio Prata

          "Eis que a Terra completa sua duo milésima décima segunda volta em torno do Sol (desde que pegaram Jesus para Cristo), e, mais um vez, olhamos para trás, tentando entender se neste balaio de gatos que chamamos de 'um ano' há alguma lógica, alguma tendência, alguma chance de matarmos nossa imorredoura sede de sentido.
          A tarefa não é simples, pois nos 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos que duram o giro pelo rodoanel cósmico acontece de tudo um pouco - e vice-versa. 
          2011, afinal, será o ano em que o Corinthians foi chutado da Libertadores pelo Tolima ou aquele em que conquistou seu pentacampeonato brasileiro?
          Devemos nos orgulhar da posse de nossa primeira presidenta e da razoável calmaria em meio às intempéries globais ou lamentar a queda de sete ministros, quase todos por indício de corrupção?
          A polícia carioca subiu a Rocinha sem dar um tiro; da PM paulistana vazou o vídeo em que o soldado gritava "estrebucha!" para um homem baleado. E aí?
          Não bastasse a infinidade de acontecimentos, um único fato ainda pode abrir-se a diferentes leituras. A morte de Bin Laden foi um momento de alívio para todas as suas vítimas passadas e futuras ou o instante em que Obama, o arauto da concórdia - e, vale lembrar, Nobel da Paz - meteu o Iluminismo e o colar havaiano no saco e adotou as mesmas práticas dos caubóis que tanto condenava?
          Há, também, aqueles eventos simplesmente incompreensíveis para a maioria dos mortais, como a notícia que cientistas teriam encontrado a 'partícula de Deus'. Seria uma lasca da unha de Javé? A foto de um raio da aura do Espírito Santo?
          Mistérios da física (ou da metafísica), que, como tantas outras questões, só serão solucionadas com o passar do tempo; a Primavera Árabe vai dar frutos ou as folhas amarelarão, em um frustrante outono? O movimento 'Ocupe' ajudará a diminuir a distância entre o 1% e os 99% ou virará só mais um bóton em uma mochila, no Espaço Unibanco de Cinema?
          No fim das contas, a única afirmação que se pode fazer sobre 2011 é que, contrariando os temores trazidos pelas águas de março e janeiro, nos tsunamis do Japão e deslizamentos do Rio, o mundo não acabou.
          Apesar das tragédias, e, mesmo sabendo o quão arriscadas são as previsões, ouso apostar que no futuro nos lembraremos deste ano com um sorriso no rosto.
          Não pelo declínio de ditadores, pela autorização do STJ ao primeiro casamento gay ou por Neymar continuar no Brasil, mas por ser o ano em que as fotos do celular de Scarlett Johansson caíram na internet, recordando-nos que a natureza pode gerar o caos, a destruição e nos condenar a girar em torno do Sol, vez após outra, repetindo as mesmas perguntas sem respostas, mas, quando quer, é nota dez nos quesitos harmonia, alegria e evolução.
          Que venha 2012!" 

26 de dezembro de 2011

Doze uvas, 365 Momentos

          Estamos na época de esperanças, planos, felicidades, rituais, festas e confraternização. No embalo dos presentes e canções de Natal embarcamos quase que mecanicamente nas viagens e fogos do Ano Novo.
          Na noite da virada o que importa é ser feliz, comemorar as conquistas, vitórias e acontecimentos do ano que se vai e desejar sucesso e sorte para o ano que se inicia. Permeando tudo isso (e muito mais...) superstições, simpatias e tradições comandam a noite de reveillon. Pular sete ondas, comer doze uvas e associar seus gostos a cada mês do ano, guardar uma folha de louro na carteira, dar tres pulos com uma taça de champagne sem derrubar uma gota, enfim, tudo vale para trazer boas energias e 'jogar fora' o agouro e azar do ano que esta se esvairando. 
          Na Itália, por exemplo, comer ao menos uma colher de sopa de lentilha é o suficiente para assegurar fartura à mesa durante o ano inteiro. Para os portugueses, comer a quantidade de bagos de uva correspondente ao seu número de sorte garante prosperidade e fartura de alimentos, além de dinheiro; mas é claro, se as sementes forem guardadas na carteira até o próximo Ano Novo.
          Das Arábias veio a ideia de que nozes, avelãs, castanhas e tâmaras podem garantir fartura e sorte. Hábito africano, por sua vez,  são as vestes brancas, que simbolizam paz, pureza e bondade para o ano advento.
          Vestimentas amarelas e douradas para atrair fortuna e sucesso; azuis e turquesas para dar paciência e tranquilidade a quem os veste; usar o rosa e o vermelho para desejar amor ou paixão e até mesmo o roxo e o lilás para trazer sabedoria às novas decisões do novo ano fazem parte, outrossim, do nosso vasto e misto supersticioso Ano Novo.
          Seja advindo da Europa, da África ou das Arábias, cada brasileiro mantém sua tradição e seu ritual, assim como diversas outras pessoas ao redor do globo, na esperança de melhoras e de realizações, ou simplesmente pela alegria de aproveitar,  desfrutar e desvendar um bom e divertido reiveillon.

22 de dezembro de 2011

Blink of an Eye

          Dizem que um olhar vale mais que mil palavras. Dizem que há palavras que não expressam a emoção sentida. Dizem que a vida passa em um piscar de olhos. Dizem, ademais, que momentos marcam uma uma vida, uma história.
        Então que seja através de uma ou de cem imagens para o olhar ser válido, para as emoções serem ditas, para a vida perlongar na eternidade, para vários e vários momentos valerem a pena e para que estes por fim, escrevam a sua, a minha e a nossa história. 


          
 
Imagem de Anuar Patjane. Chuva torrencial de monção em Bhaktapur, no Nepal.


O fotógrafo James Vernacotola registrou o lançamento do ônibus espacial Endeavour STS-130 em Ponte Vedra, na Flórida, EUA.


 Uma vez a cada ano, os pescadores de Taipei, em Taiwan, realizam um ritual de pesca com enxofre e fogo. Foto de Hung-Hsiu Shih.


 A imagem foi feita nas Ilhas Riau, na Indonésia, pelo fotógrafo Shikhei Goh.


 A foto acima, feita em Hokkaido, no Japão, mostra um lago turístico da região durante o inverno. Foto de Kent Shiraishi.


 O fotógrafo Angel Fitor, de Múrcia, na Espanha, registrou a água-viva Cotylorhiza tuberculata próxima à superfície do mar.


 Foto tirada por Marius Coetzee em um safári fotográfico no Parque Nacional do Serengueti, na Tanzânia.



A imagem mostra a dupla e rap G-Side em Nova York, nos EUA.
Fotografia de Helen Pearson.




          As fotos acima foram vencedoras do concurso ou ganhadoras das menções honrosas nas categorias Natureza, Pessoas e Lugares do 'Concurso Fotográfico 2011', oferecido pela revista 'National Geographic'. Essas e outras mais 6 fotos foram escolhidas entre as 20 mil enviadas por participantes de 130 países.

7 de novembro de 2011

Os livros de Marx e Gutemberg

          A imaginação e a realidade humanas andam juntas desde os primórdios da nossa existência  dando origem a mitos, religiões e simbologias, construindo cidades e civilizações, fazendo de fatos, pessoas e obras, imagens positivas ou negativas de eras, povos e dos indivíduos em si. 
          No apogeu da era Renascentista, Gutemberg publicou o primeiro livro impresso da história, a Bíblia Católica, marcando a evolução e criações tecnológicas da época da razão e do homem. O mesmo livro rege ainda uma das maiores religiões do mundo, representando-a apenas com uma imagem e com uma cruz.
        Durante a Revolução Industrial, as lutas proletárias, assim como as revoluções socialistas de tempos depois, associam-se diretamente ao "Manifesto Comunista" de autoria 'Marxiana', obra, a qual, mudou o mundo, as indústrias e a percepção humana. 
          Livros de autoajuda serão vistos daqui algum tempo como os símbolos e obras do século XXI, evidenciando o desespero e a perda intimista do ser humano. 
        Os livros são,portanto, símbolos, imagens de uma época, de um indivíduo, de uma história. São marcos queimados, lidos, escritos, 'pixados' e interpretados que perpetuarão a representar o homem, ao longo dos tempos e ao longo das infindáveis páginas da vida e da história.

23 de outubro de 2011

Carta para Tito




           por José Roberto Torero

          Futebol também é cultura. Hoje, para júbilo e gáudio dos amantes das letras clássicas, publicarei uma carta do imperador Vespasiano a seu filho Tito. Vamos a ela:

          "22 de junho de 79 d.C. 
        "Tito, meu filho, estou morrendo. Logo eu serei pó e tu, imperador. Espero que os deuses te ajudem nesta árdua tarefa, afastando as tempestades e os inimigos, acalmando os vulcões e os jornalistas. De minha parte, só o que posso fazer é dar-te um conselho: não pare a construção do Colosseum. Em menos de um ano ele ficará pronto e, dando-te muitas alegrias e infinita memória. 
          Alguns senadores o criticam, dizendo que deveríamos investir em esgotos e escolas. Não dê ouvidos a esses poucos. Pensa: onde o povo prefere pousar seu clunis: numa privada, num banco de escola ou num estádio? Num estádio, é claro. 
         Será uma imensa propaganda para ti. Ele ficará no coração de Roma por omnia saecula saeculorum, e sempre que o olharem dirão: 'Estás vendo este colosso? Foi Vespasiano quem o começou e Tito quem o inaugurou'.
         Outra vantagem do Colosseum: ao erguê-lo, teremos repassado dinheiro público aos nossos amigos construtores, que tanto nos ajudam nos momentos de precisão.
          Moralistas e loucos dirão que mais certo seria reformar as velhas arenas. Mas todos sabem que é melhor usar roupas novas que remendadas. Vel caeco appareat (Até um cego vê isso).
       Portanto deves construir esse estádio em Roma, assim como a gente de Brasília construirá monumentais estádios em Natal, Cuiabá e Manaus, mesmo que nem haja ludopédio por esses lugares.
         Só para você ter uma ideia, o campeonato de Mato Grosso teve média inferior a mil pessoas por partida, e a Arena Pantanal, em Cuiabá, terá capacidade para 43.600 espectadores. Em Recife haverá um novo estádio, mas todos os grandes clubes já têm o seu. Pior será a arena de Manaus: terá 47 mil lugares e, no campeonato estadual, juntando os 80 jogos, o público total foi de 37.971.
       As gentes da Terra Papagalli não ligaram nem mesmo para o exemplo dos sul-africanos, que construíram cinco novos estádios e quatro são deficitários.
       Enfim, meu filho, desejo-te sorte e deixo-te uma frase: Ad captandum vulgus, panem et circenses (Para seduzir o povo, pão e circo).
        Esperarei por ti ao lado de Júpter."

          PS: Vespasiano morreu no dia seguinte à carta. Tito não inaugurou o Coliseu com um jogo de Copa, mas com cem dias de festa. Tanto o pai quanto o filho foram deificados pelo senado romano.

19 de setembro de 2011

Fantasmas Gregos

        Em 1889 foi instaurada a República no Brasil, a partir da qual homens e oligárquicos adquiriram o direito de decidir e argumentar sobre sua mais nova pátria. Com o movimento feminista do século XX, as mulheres conseguiram tal igualdade e, em 1988 através da Constituição, os jovens conseguiram tais direitos.
       Durante governos autoritários, abusos e fraudes no poder - principalmente entre as décadas de 1960 e 1980 - o povo foi responsável pelas mudanças na política nacional, a exemplo do fim da Ditadura e da saída de Collor do governo.
            Foi o povo, outrossim, que elegeu em 2001, um sindicalista à Presidência da República, o qual melhorou consideravelmente as condições da população, além de propiciar um desenvolvimento antes quase utópico.
          Entretanto, nada seria como foi sem a atuação dos jovens estudantes nas mudanças em nosso país.
            Através de sindicatos, associações ou grupos estudantis, os jovens têm muito daquilo que se perde quando adulto: a esperança e força de vontade. Sendo estas, por sua vez, direcionadas a projetos sociais, fiscalização de obras públicas e até mesmo cobrança das promessas de palanques.
         Quanto mais cedo os adolescentes se conscientizarem sobre a política nacional (através de palestras, debates e atividades práticas), mais os antigos fantasmas gregos da época de Círio aflorarão, fazendo com que lembremo-nos das nossas conquistas e justiça passadas, assim como a utopia do apogeu democrático no século V a.C. concretizado, por sinal, também por jovens "guerreiros políticos" gregos.
         

2 de setembro de 2011

The Farewell of a Dream

         At the most beautiful or important moment of a dream, when we don´t want to leave it and we're enjoying that sweetie emotion, life and time get a way to wake us up. 
          Life is like a dream always ready to change, to inspire us or destroy us, but always, in the same way, to make us happy again. When we are kids, nothing is impossible, climb the Everest mountain just climbing the walls, be an astronaut only using a cassette recorder or even be a lost and defenseless princess in a tower using a crown made of paper and being closed in our bedrooms.
          But then we grow up. Suddenly imagination is not enough and we start to dream about things we see and inspire us. Our goal now is practice to be the new rock star, the successful doctor, the famous racing driver or maybe, who knows, the president of our country.
           However life, time and now reality, attack us with books, duties, with the gray shadows of a grown up world. And suddenly as a sand castle dissolves with the dance of sea's waves, the dream becomes a nightmare and apparently impossible to become true. We accept to turn ourselves into a cold, unfeeling and 'no creative' person, living all our world built in a tree house behind. 
          Time crosses our lives again and we learn how to dream again, reminding with love and affection the old times when a dream wasn't only images, feeling and sounds inside our minds, but it was a simply and sincere way of life. 
          Getting a certain age, we will see the most wonderful, graced and unpredictable dream we could have ever dreamed, and so, finally understand it and its different meanings and interpretations and when it happens then we will be ready to say farewell to this sweetie and remarkable dream: our life.